Lesão De Labrum Acetabular

A lesão do labrum acetabular envolve o dano ao anel de fibrocartilagem que circunda a borda do soquete do quadril (acetábulo). O labrum desempenha funções vitais, como o selamento da articulação para manter o líquido sinovial lubrificado e a estabilização da cabeça do fêmur. Quando essa estrutura é rompida, a mecânica do quadril é alterada, o que pode gerar dor profunda e aumentar o risco de desgaste precoce da cartilagem.
O diagnóstico preciso desta lesão é fundamental, pois seus sintomas frequentemente mimetizam problemas musculares ou pubalgias. Atualmente, com o avanço das técnicas de imagem e da cirurgia preservadora, é possível tratar a lesão de forma eficaz, permitindo que o paciente retome suas atividades físicas e evite a progressão para quadros de artrose severa no futuro.
Principais causas da lesão labral As causas variam desde traumas agudos em acidentes ou quedas até o desgaste crônico por movimentos repetitivos em esportes que exigem rotação extrema do quadril, como futebol, balé e artes marciais. No entanto, a causa estrutural mais comum é o impacto femoroacetabular (IFA), onde deformidades ósseas no fêmur ou no acetábulo causam um “pinçamento” mecânico que esmaga e rompe o labrum durante o movimento normal da articulação.
Sintomas da lesão de labrum O sintoma mais característico é a dor profunda na virilha, que pode irradiar para a parte lateral do quadril ou para a coxa. Muitos pacientes relatam sensações mecânicas, como estalos, travamentos ou a percepção de que o quadril está “preso”. A dor costuma piorar ao permanecer sentado por longos períodos, ao dirigir ou ao realizar atividades que envolvam flexão e rotação da perna, impactando diretamente o desempenho esportivo e as tarefas diárias.
Exames e avaliação ortopédica A avaliação começa com testes físicos específicos de impacto, realizados pelo especialista no consultório para reproduzir o desconforto. Como as radiografias simples não mostram o labrum, a ressonância magnética (preferencialmente a artrorressonância em casos específicos) é o exame padrão-ouro. Ela permite visualizar a localização exata da ruptura, a presença de cistos associados e o estado da cartilagem adjacente, essencial para o planejamento terapêutico.
Tratamentos ortopédicos e reabilitação O tratamento inicial foca na fisioterapia especializada para fortalecer a musculatura estabilizadora e corrigir desequilíbrios posturais que sobrecarregam a articulação. Procedimentos de intervenção, como infiltrações articulares, podem ser usados para controle da dor. Nos casos em que a dor persiste ou há bloqueio mecânico, a cirurgia por artroscopia é indicada para realizar o reparo (sutura) do labrum ou a reconstrução da estrutura, tratando simultaneamente as causas ósseas do impacto.
O acompanhamento médico é crucial para evitar que uma lesão labral pequena evolua para um dano extenso à cartilagem articular. A reabilitação pós-operatória ou o tratamento conservador bem conduzido exigem paciência e foco na correção da biomecânica, garantindo que o quadril suporte as cargas do dia a dia sem sofrimento.
Com um diagnóstico precoce e a estratégia de tratamento correta, a grande maioria dos pacientes consegue eliminar os sintomas mecânicos e retornar ao seu nível prévio de atividade física. Cuidar do labrum é investir na longevidade da articulação, prevenindo intervenções mais invasivas e garantindo um futuro com mobilidade e sem dor.