DISPLASIA DO QUADRIL

A Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) é frequentemente associada a bebês, mas muitos casos leves passam despercebidos na infância e só manifestam sintomas na vida adulta. A condição ocorre quando o acetábulo (a parte da bacia que forma o “soquete”) é raso demais, não cobrindo totalmente a cabeça do fêmur. Isso cria uma área de contato reduzida, aumentando drasticamente a pressão sobre a cartilagem e gerando instabilidade na articulação.
No adulto, essa falta de cobertura óssea adequada faz com que o quadril se desgaste muito mais rápido do que o normal. É uma das principais causas de dores no quadril e necessidade de prótese em pacientes jovens (abaixo dos 50 anos). Os sintomas costumam aparecer após atividades físicas ou longas caminhadas, como uma dor na virilha ou na lateral do quadril, às vezes acompanhada de uma sensação de que o quadril está “frouxo” ou falseando.
Tratamento conservador em fases iniciais Se a displasia for leve e a cartilagem ainda estiver preservada, o objetivo é proteger a articulação. O tratamento conservador foca na modificação de atividades (evitar esportes de alto impacto) e no controle de peso para reduzir a carga. A fisioterapia é essencial para fortalecer os músculos que “seguram” o quadril no lugar (estabilizadores), compensando a falta de cobertura óssea.
Procedimentos intervencionistas Pacientes com displasia frequentemente sofrem lesões no labrum (o anel de cartilagem que tenta compensar a falta de osso). Nesses casos, as infiltrações articulares guiadas por imagem podem ser utilizadas tanto para o alívio da dor aguda quanto como teste diagnóstico. O alívio temporário da dor após a infiltração ajuda a confirmar que a origem do problema é, de fato, a articulação do quadril, e não a coluna ou músculos.
Cirurgia em casos avançados A abordagem cirúrgica depende da idade e do grau de desgaste. Em adultos jovens com cartilagem saudável, pode-se realizar a Osteotomia Periacetabular (Cirurgia de Ganz), que reposiciona o osso da bacia para cobrir melhor a cabeça do fêmur e preservar o quadril. Já em casos onde a artrose avançada já se instalou, a cirurgia indicada é a artroplastia total (prótese de quadril) para eliminar a dor e restaurar a função.
Reabilitação e acompanhamento A reabilitação na displasia visa a estabilidade articular. O fortalecimento muscular deve ser cuidadoso para não sobrecarregar a articulação rasa. O acompanhamento médico regular com radiografias é vital para monitorar a saúde da cartilagem e decidir o momento certo de intervir cirurgicamente, antes que o desgaste se torne irreversível.
A Displasia do Quadril no Adulto é uma condição silenciosa que, se ignorada, leva à destruição acelerada da articulação. Saber que a dor na virilha pode ser fruto de uma alteração no formato do osso é o primeiro passo.
Com o diagnóstico precoce e um planejamento terapêutico que pode envolver desde o fortalecimento muscular até cirurgias preservadoras, é possível mudar a história natural da doença e manter a qualidade de vida do paciente por muito mais tempo.