RUPTURA DOS TENDÕES GLÚTEOS

As lesões e rupturas dos tendões dos músculos glúteo médio e glúteo mínimo são causas frequentes e muitas vezes subdiagnosticadas de dor lateral crônica no quadril. Esses tendões, que se inserem no trocânter maior do fêmur, são os principais responsáveis pela abdução e estabilização lateral da pelve durante a marcha. Quando sofrem desgaste ou ruptura, a mecânica do quadril é severamente comprometida, gerando dor e uma fraqueza característica ao caminhar.
Diferenciar esta condição da simples bursite trocantérica é crucial, pois as rupturas exigem abordagens terapêuticas distintas para evitar a atrofia muscular irreversível. Esta patologia afeta predominantemente mulheres acima de 50 anos e pode ser debilitante, limitando a capacidade de realizar atividades diárias simples, como subir escadas ou deitar-se de lado. O diagnóstico correto, focado na integridade tendínea, é o primeiro passo para restaurar a função do quadril.
Causas e processo degenerativo As causas podem ser agudas, decorrentes de traumas ou quedas, mas a grande maioria dos casos resulta de um processo degenerativo crônico conhecido como tendinopatia. Fatores biomecânicos, como pelve larga, sobrecarga mecânica repetitiva e envelhecimento natural dos tecidos, levam a microlesões acumuladas que enfraquecem a estrutura do tendão. Com o tempo, estas microlesões progridem para rupturas parciais ou completas, muitas vezes acompanhadas por inflamação da bursa trocantérica secundária.
Sintomas característicos e fraqueza O principal sintoma é a dor na lateral do quadril, diretamente sobre a proeminência óssea, que piora ao deitar-se sobre o lado afetado ou realizar esforços. Um sinal distintivo é a fraqueza muscular, manifestada por uma claudicação característica (mancar), onde o paciente não consegue manter a pelve nivelada ao apoiar o peso em uma perna só (Sinal de Trendelenburg). Em rupturas completas, a incapacidade de abduzir (afastar) a perna contra resistência é evidente.
Diagnóstico e exames de imagem A avaliação clínica minuciosa através de testes de força muscular é o ponto de partida, onde o especialista busca reproduzir a dor e identificar a fraqueza dos abdutores. Exames de imagem como a ultrassonografia dinâmica e a ressonância magnética são indispensáveis para visualizar a integridade dos tendões, permitindo classificar a gravidade da ruptura (parcial ou completa), avaliar o grau de retração tendínea e a presença de atrofia ou substituição gordurosa do músculo, informações cruciais para o planejamento terapêutico.
Tratamentos ortopédicos e reabilitação O tratamento depende da extensão da lesão e da demanda do paciente. Rupturas parciais e degenerativas iniciais podem responder bem ao tratamento conservador com fisioterapia focada no fortalecimento excêntrico e reequilíbrio muscular, associado a terapias regenerativas ou ondas de choque. No entanto, rupturas completas ou agudas em pacientes ativos exigem, frequentemente, intervenção cirúrgica por artroscopia ou via aberta para o reparo e reinserção dos tendões no osso, visando restaurar a função abdutora e prevenir a degeneração articular futura.
A escolha da abordagem correta depende da extensão da ruptura (parcial ou completa), da idade do paciente e do seu nível de demanda funcional. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, especialmente com exames como a ressonância magnética, maiores são as chances de sucesso com o tratamento conservador e de evitar a atrofia muscular irreversível.
Com dedicação ao tratamento, adesão às orientações de fortalecimento e um programa de reabilitação bem executado, é possível controlar os sintomas, garantir a estabilidade da pelve e retornar às atividades de forma segura e sem dor.